
1ª Casa Modernista no Brasil
Há 80 anos, o arquiteto Gregori Warchavchik abriu as portas de uma de suas casas para a primeira exposição modernista dentro de uma construção desenhada nos moldes dessa escola artística. Naquele 26 de março de 1930, não eram poucos os amigos famosos do arquiteto: Tarsila do Amaral, Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Lasar Segall – este último, seu concunhado. A casa, que recebeu mais de 20 mil visitantes, exibia telas dos amigos, além de móveis e luminárias projetadas por ele. À Rua Itápolis, num Pacaembu quase periferia daquela São Paulo com apenas 900 mil habitantes, os traços retos, sem adornos e utilitários estabeleceram Warchavchik como o pioneiro da arquitetura modernista. A primeira casa ficara pronta dois anos antes, logo depois que o arquiteto se casou com a pianista Mina Klabin. Hoje, tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat) e reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a área – de 13 mil m² – da famosa casa da Rua Santa Cruz pertence ao Estado de São Paulo e se transformou num parque.
Na Semana de Arte Moderna de 1922, a arquitetura não foi citada como arte de vanguarda. Coube a Warchavchik, ucraniano que chegou ao país em 1923, elevá-la ao patamar modernista. Ele foi o primeiro a pensar, naquela década, em construções com economia de espaço e livres de adornos típicos da Europa. Casas deveriam ter grandes janelas, para aproveitar a iluminação natural tropical, e poucos espaços de circulação, como halls e corredores, evitando perder tais áreas para ganhá-las nos cômodos. “Esta arquitetura será a mais regional possível, porque a sua primeira e principal exigência será a de adaptar-se à região, ao clima, aos costumes do povo”, escreveu Warchavchik à época. Pensando nas classes mais pobres, construiu vilas operárias no Rio de Janeiro e em São Paulo. O ideal dos arquitetos modernos, para ele, era “conseguir a diretriz prática para orientar a fabricação de casas em grande escala, a fim de proporcionar, com um mínimo de preço, um máximo de conforto, principalmente às classes menos abastadas”.

1ª Casa de Arquitetura Modernista no Brasil
Texto: Laura Lopes
Fonte: Revista Época
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